sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Quaresma: Voltarmo-nos para Deus

A Quaresma orienta o nosso pensamento, em primeiro lugar, para a imagem do deserto, aquele onde Jesus viveu quarenta dias de solidão ou aquele que o povo de Deus atravessou, caminhando durante quarenta anos. E, no entanto, quando chegavam estas semanas que precedem a Páscoa, o irmão Roger gostava de lembrar que esse não era um tempo de austeridade ou de tristeza, nem um período para alimentar a culpabilidade, mas sim um momento para cantar a alegria do perdão. Ele via a Quaresma como quarenta dias para nos prepararmos para redescobrir pequenas primaveras nas nossas vidas.

No início do Evangelho de São Mateus, quando João Baptista proclama «arrependei-vos!», ele quer dizer «voltai-vos para Deus!» Sim, durante a Quaresma, gostaríamos de voltar-nos para Deus para acolher o seu perdão. Cristo venceu o mal, e o seu perdão constante permite-nos renovar uma vida interior. É a uma conversão que somos chamados: não a voltarmo-nos para nós próprios numa introspecção ou num perfeccionismo individual, mas a procurar uma comunhão com Deus e também uma comunhão com os outros.
Voltarmo-nos para Deus! É verdade que, no mundo ocidental, tornou-se difícil, para algumas pessoas, acreditar em Deus. Elas vêem a existência de Deus como um limite à sua liberdade. Pensam que devem lutar sozinhas para construir a sua vida. Parece-lhes inconcebível que Deus os acompanhe.

No ano passado, fui visitar os nossos irmãos que vivem na Coreia há trinta anos. Durante o caminho, acompanhado por outro irmão, estive em encontros de jovens em vários países asiáticos. O que me marcou na Ásia foi o facto de a oração parecer natural. Nas diferentes religiões, as pessoas têm espontaneamente na oração uma atitude de respeito, ou mesmo de adoração.

Certamente, nestas sociedades não há menos tensões ou violências do que no Ocidente. Mas um sentido de interioridade é talvez mais acessível, um respeito perante o milagre da vida, pela criação, uma atenção ao mistério, a algo que vai para além do que podemos ver.
Como renovar uma vida interior descobrindo e voltando sempre de novo a descobrir uma relação pessoal com Deus? Há em todos nós uma sede de infinito. Deus criou-nos com este desejo de um absoluto. Deixemos viver em nós esta aspiração!
Entre os cânticos de Taizé, um deles expressa esta espera. A letra é de um poeta espanhol, Luis Rosales, inspirado por São João da Cruz: «De noite iremos e, para encontrar a fonte, só a sede nos ilumina.» Para algumas pessoas, o tempo da Quaresma é tempo de jejum. Não que a ascese tenha um valor por si própria, mas há em cada pessoa uma espera mais profunda do que as esperas superficiais, uma sede mais essencial. E essa sede pode iluminar o nosso caminho.
Se, por vezes, caminhamos de noite ou se atravessamos como que um deserto, não é para seguirmos um ideal.


Seguimos uma pessoa: Cristo. Não estamos sozinhos, ele vai à nossa frente. Segui-lo implica um combate interior, com decisões a tomar, com fidelidades de toda uma vida. Neste combate, não nos apoiamos sobre as nossas próprias forças, mas abandonamo-nos à sua presença. O caminho não está traçado de antemão, implica também acolher surpresas, criar com o inesperado.
Deus não se cansa de retomar o caminho connosco. Podemos acreditar que uma comunhão com ele é possível e assim nunca nos cansamos de, também nós, retomar sempre de novo o combate. Não perseveramos para nos apresentarmos diante de Deus com o nosso melhor aspecto. Não, aceitamos avançar como pobres do Evangelho, que se confiam à misericórdia de Deus.

A Quaresma é um tempo que nos convida à partilha. Leva-nos a pressentir que não nos sentiremos realizados se não consentirmos a renúncias. Renúncias feitas por amor. Quando, noutra ocasião, Jesus se encontrava no deserto, cheio de compaixão por aqueles que o tinham seguido, multiplica cinco pães e dois peixes para alimentar cada pessoa. Que sinais de partilha podemos nós realizar?
O Evangelho valoriza a simplicidade de vida. Chama-nos a dominar os nossos próprios desejos para nos conseguirmos limitar, não por constrangimento mas por escolha. Este apelo é hoje muito actual, não somente em termos pessoais, mas na vida das nossas sociedades. A simplicidade escolhida livremente permite que os mais favorecidos resistam à corrida ao supérfluo e contribui à luta contra a pobreza imposta aos mais deserdados.
Durante este tempo da Quaresma, ousemos rever o nosso estilo de vida. Não para dar má consciência àqueles que não o fazem, mas com o propósito de sermos solidários com os mais desamparados.

O Evangelho incentiva-nos a partilhar livremente, dispondo das coisas com beleza simples da criação.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Dê uma espiadinha!!!

Em certos momentos de nossas vidas podemos nos deparar com insanidades adquiridas por nós em algumas tomadas de decisões. Dividimo-nos constantemente em alguns fatores como o social, cultural, religioso, político entre outros que faz com que sejamos parte de uma sociedade "civilizada". Estas insanidades são perpetradas muitas vezes intercaladas com um desses fatores, uma vez que um "louco" é aquele que vai contra a sociedade em que é inserido.

Podemos, portanto realizar um pequeno teste onde mediremos nosso nível de insanidade. Seguindo as ordens dos fatores destaco primeiro o social: ajudar, colaborar, voluntariar onde uns e outros acometidos pelo mal do “eu” sociabilizam de forma a saciar vontades próprias, como a de se mostrar como um bom e confiável puritano. O cultural: miscigenação, etnias, gestos e atitudes enraizadas com o meio em que se encontra.

Deste fator nasce a discriminação e o preconceito onde muitas vezes marginalizamos pessoas que diferem de nosso ideal de sociedade “civilizada”. Temos ainda o religioso: crença em um determinado Deus e/ou determinados Deuses, e neste fator destaco algumas insanidades básicas de um “bom cristão”, a não aceitação de seu próximo pelo simples fato de que sua religião é contra sua forma e/ou escolha de vida, a culpa de suas desgraças jogadas em cima de uma determinada divindade, ou o simples fato de zombar com os nomes decorrentes de sua religião, diríamos assim uma heresia : ação ou palavra ímpia, sacrílega, disparate e absurdo.
Por fim nosso fator preponderante, a política: exposição de nossas idéias a uma determinada pessoa e/ou grupo, ou seja, a posição que muitas vezes tomamos a favor ou contra algo e ainda expondo algo de interesse pessoal ou coletivo isso é política e muitos usam desta para saciar suas fantasias mais intrínsecas, como a de ter um castelo ou simplesmente de adquirir poder e um bom e recheado salário acrescidos de juros e correções monetárias.

Estas são as insanidades que podem transcorrer em nosso cotidiano, podemos ainda unir de forma agradável estes fatores, nos prostrando diante de nosso ridículo e correndo atrás de uma vaga no BBB, quem sabe não saciamos nossos desejos de uma só vez, fazendo moda, ganhando fama, dinheiro fácil e apelando em um paredão para uma sociedade e paras as forças divinas.

Ah, antes que eu me esqueça, fique louco e não atenda aos padrões da sociedade, vamos dar uma espiadinha!!!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Carnaval – falsidade de foliões e mais um feriado nacional.

Em poucos dias estaremos comemorando uma “grande festa”, o Brasil pára e fitaremos nossos olhares em desfiles luxuosos, em avenidas lotadas, em noites longas onde o importante mesmo é aproveitar o momento, esquecer do mundo e curtir o Carnaval.Uma mistura de raça, encontro de etnias. Será?

Se perguntarmos para algumas pessoas, poderemos notar que a grande idéia difundida ao longo dos tempos é que o carnaval é uma festa que reúne todos os povos, nesta festa não existe diferença, o importante e essencial é se divertir. Analisando carnavais anteriores posso “afirmar” que isto é uma verdade, é comum vermos nos camarotes das avenidas mendigos, miseráveis, a classe baixa, é comum vermos autoridades e a alta sociedade das cidades reunidas em coro nas arquibancadas. Ali se concretiza os pensamentos dos foliões, a festa do povo, união das etnias e o esquecimento das diferenças.Torna-se digno das bênçãos de Deus, porque por mais que tentemos não mudaremos essa linda “realidade”, onde nos unimos e juntos festejamos esta belíssima festa.



Mas, infelizmente acordamos e nos deparamos com outra realidade, o sonho da união dos povos não existe, e esta é a cara do carnaval, aqueles que detêm poder aquisitivo vão as festas, aos desfiles, viajam e esses sim se divertem. Os pobres, que pobres? Nesta festa não há espaço para eles, afinal não se darão ao luxo de deixar de trabalhar e ganha o pão de cada dia.O mais engraçado de toda está realidade é que há alguns anos atrás a festa era sinal de alegria, os cristãos festejavam as vésperas da Quaresma, uma festa de autêntica alegria, os povos antigos do Egito comemoravam as boas colheitas e as terras férteis. O tempo passou aboliu-se a alegria, a caracterização positiva (danças, celebrações e manifestações populares) e hoje nos deparamos com uma festa carnal, onde se cultuam - “sexo, bebida e um bacanal”.

Nesta mesma época, e pela simples razão do que se transformou tal festa, distribuem camisinhas, investem em propagandas preventivas e para muitas o início infindável de uma gestão e/ou os crescentes números de abortos, pelo simples fato de ter no ventre uma “cagada de carnaval”. Esta é a festa que acreditamos ser a união das diferenças, onde tudo e todos param para “somente se divertir” e logo após para a maioria começa o ano e aguardamos ansiosos os próximos feriados.